Amor
A jovem deusa passa
Com véus discretos sobre a virgindade;
Olha e não olha, como a mocidade;
E um jovem deus pressente aquela graça.
Depois, a vide do desejo enlaça
Numa só volta a dupla divindade;
E os jovens deuses abrem-se à verdade,
Sedentos de beber na mesma taça.
É um vinho amargo que lhes cresta a boca;
Um condão vago que os desperta e toca
De humana e dolorosa consciência.
E abraçam-se de novo, já sem asas.
Homens apenas. Vivos como brasas,
A queimar o que resta da inocência.
Miguel Torga, in 'Libertação'

1 comentário:
O amor é um mistério. Nunca se sabe muito bem como começa, porque continua, se cresce, e ao que nos leva.
O amor tem várias faces, e várias fases também.
O amor é um doce amargo amargo doce indefinível e encantador.
O amor inspira... Pinturas e poemas como os que apresentas aqui. E que bonitos os dois.
Enviar um comentário